O país do atenuante.
Em minha opinião, estamos vivendo o fim da história de fato. As coisas que vêm acontecendo, desde a fúria do clima as manifestações pela liberdade no oriente médio mostram que o modelo atual de civilização faliu e que precisamos a todo custo nos reinventar sob pena de extinção. No entanto, ocupo aqui o seu tempo meu caro leitor para falar especificamente do nosso país, o Brasil.
Nós somos o país do atenuante. O cara mata a namorada, há um atenuante porque ele foi corno. A chuva destrói uma cidade inteira e o prefeito é eximido de quase toda a sua responsabilidade pelo atenuante de que "Nunca antes da história deste país choveu tanto", tacam fogo no índio e recebem atenuante porque pensaram, vejam só, que o índio não era índio, era um morador de rua.
E agora, lá em Porto Alegre, cidade que mostra bem o que podemos ser de melhor e pior nesse Brasil, um imbecil, energúmeno tomado por não sei qual pensamento, PASSA POR CIMA de uma multidão de ciclistas, que, oficialmente ou não, estavam lá fazendo sua passeata. O que vemos depois? ATENUANTE porque bateram com as mãos no capô do carro dele, ATENUANTE porque ele estava com seu filho de 15 anos no carro (puta exemplo hein tiozão!), ATENUANTE porque a bicicletada não tinha aval da prefeitura e assim vai. Como se não bastasse o infeliz bacharel em direito delegado abre o inquérito como se tivesse sido um ACIDENTE (veja o video) e qualifica como SEM INTENÇÃO DE DOLO a atitude do tiozinho imbecil.
A minha pergunta, para fechar a questão é: Até quando vamos ficar atenuando, relativizando e escapulindo de nossas responsabilidades enquanto cidadãos? É hora de iniciarmos as tratativas para a defesa do cidadão comum. A elite já é bem defendida pelo governo. Quando a merda feder, seremos nós que estaremos afundados nela. Precisamos criar um inimigo feroz do Estado, que faça a sociedade entender que para evoluirmos como civilização capaz de sobreviver ao fim do mundo é preciso de fato não só eleger bons representantes mas também saber que existem outras pessoas além de si mesmo.
Para este assassino, SEM ATENUANTES, desejo o rigor da lei. Que ele seja exibido como exemplo de um Brasil que negamos, que repudiamos e que não queremos sentir nem o cheiro.
O conto do vizinho chinês
Eu tenho um vizinho chinês, daqueles que trabalham com muamba. Sempre sorridente, nos encontramos sempre na garagem, eu, geralmente ou com criança no colo ou cheio de bugigangas de criança e ele, invarialmente carregando "sacos pretos", cheios, imagino, de diversos tipos e modelos de muambas em geral. Pois bem, como uma relação dessas pode tornar-se objeto de um conto? Eu respondo rápido: A internet.
E aí PHP, o que você quer ser quando crescer?
Há 15 anos atrás, nascia o PHP. Concebido para resolver rapidamente um problema, nossa querida linguagem, com sua característica simplicidade e pragmatismo, foi crescendo e ainda criança, tomou a web de assalto. Hoje, entrando com o pé na porta da adolescência, é o que há de melhor para resolvermos o problema da web, independemente de ser mobile, desktop, rest, json ou o capeta. Como disse o @eminetto certa vez - se minha memória não falha - PHP é faca na caveira.
No entanto, nossa querida linguagem, como aquelas menininhas que, digamos assim, "amadurecem rápido demais", despertou o desejo de meninos crescidos, que fazem promessas de relacionamento sério mas de fato só parecem querer muito sexo selvagem. Aí, reside a a encruzilhada: Nossa apetitosa garota se entrega de corpo e alma aos fornicadores corporativos que podem fazê-la alçar vôos muito mais altos ou continua seu flerte com aquele tipo meio hiponga, que curte o verde e a liberdade mas que, a despeito de todo cogumelo, parece não se importar muito em ser alguém no mundo dos negócios e que é um velho conhecido da família?
Se eu pudesse, daria o seguinte conselho pra você, pequeno pedaço de mal caminho:
Vá, viva, flerte com os tarados do mercado, pratique sexo tântrico com os hippies do software livre fazendo eles esquecerem seus devaneios por cobras e pedras preciosas. Faça sexo grupal, aproveite muito de todos os lados que quiser. Só não perca a sua melhor característica: Continue livre e independente para escolher seu próprio caminho.
Parabéns e mais um pedaço de futuro excelente, PHP, que me dá a alegria de olhar pra uma tela colorida todos os dias.
Não posso deixar de parabenizar também a todos os User Groups de PHP do Brasil e do Mundo.
Entre unibans e apagões, um sopro de sensatez
Eu fui praticante de karate-do durante muitos anos e entre os inúmeros ensinamentos recebidos, havia uma singela constante, expressada aqui em palavras:
KARATE-DO WA REI NI HAJIMARI REI NI OWARU KOTO WO WASURUNA
"Não esquecer que o karate-do começa e termina com cortesia"
Bem, essa cortesia não se refere somente àquele baixar rápido de cabeça antes de começar uma luta ou qualquer outra atividade ligada ao aspecto físico da prática da arte marcial. Se não há respeito, não somos humanos. É o que nos diferencia em essência dos outros seres vivos. Sem querer ser piegas, quando agimos com cortesia e gentileza nos integramos melhor ao espaço que nos cerca e, incondicionalmente, esta harmonia trás benefícios.
Todo esse blá-blá-blá, apenas para recomendar a esplêndida crônica de Eliane Brum, que chegou até este que vos escreve através da sempre relevante lista da Webees.
Link para a crônica: http://alarchronicles.blogspot.com/2009/11/gentileza-gera-gentileza.html
Trecho destacado
Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.
Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.
Em tempos de uniban, apagões e outras maluquices, é sempre bom dar olhos e ouvidos ao que existe de sensato por aí.
Parabéns Sampa, de olho nos Rios e na água
"A escassez de água, em especial nas grandes cidades é apontada como um dos principais desafios para o século XXI. É é fundamental que o paulistano deixe de assistir passivamente a destruição de sua relação com a paisagem e com a natureza. E nos fez tão distantes a ponto de não sabermos de onde vem a água que sai da nossa torneira, e de não termos nenhum interesse em saber para onde vai nosso esgoto."
Renuncie, Roriz
Assisto, estarrecido, ao depoimento do Senador Roriz. Misto de emocões, muitos pensamentos.
Eu vejo o passado. Vejo um político anacrônico, despreparado, que mente descaradamente. Ele lê o seu discurso e engasga em momentos cruciais, como se lesse pela primeira vez. Entrega-se, pateticamente, em seu pecado, diante do espectador mais ou menos atento. Ele chorando parecia um crocodilo desesperado sugando o calor do sol.

