Sobre Geisys, talibans e internet.
Nestes últimos dias, assistimos ao caso da estudante Geisy Arruda e a UNIBAN. O que a princípio parecia nada além do ato idiota de cerca de 900 imbecis, entre alunos, alunas e, pasmem, até membros do corpo docente da dita instituição de ensino, foi evoluindo até chegar ao ponto onde a tal uniban comunica a expulsão da aluna por atentar contra a ética, moral, bons costumes e valores que a tal instituição diz ser guardiã. Bem, não preciso escrever muito sobre isso, uma universidade é um local de consenso, de progressivismo, de tolerância e entendimento e não de linchamentos, ameaças de estupro, enquadramento e autoritarismo. A tal uniban realmente fez por merecer a alcunha de "taliban". Irei abordar outro ponto importante da história: A internet e as mídias sociais.
Alguns teorizam que a mídias sociais não passam de "voyerismo digital", que a rede é incapaz de ser uma plataforma sustentável para o protesto e ativismo e que os atos como o #forasarney não tem valor, porque apesar de milhares de twitters pedindo pro nosso querido ex-presidente pedalar, quase ninguém foi às ruas, ninguém de fato estava protestando como se fazia nos anos de chumbo e correlatos. Longe de mim comparar nossos tempos de relativa liberdade com aqueles em que o pau comia e o terror era real, mas há uma tentativa de descredenciar a web como meio de ativismo que carece de algumas correções.
O fato é que tanto no caso do tio sarney quanto no caso da uniban, o burburinho, o buzz, pra utilizar um termo de gosto dos (web)publicitários (urgh), causaram um constante recall dos fatos, numa espiral de indignação que, associado ao total desprepraro do pessoal de MKT da universidade em dar as respostas certas e preservar alguma dignidade - saiba mais em Expulsão foi "xeque-mate" para marca da Uniban, diz especialista -, fez com que o castelo de cartas ruísse e, sem saída, a universidade readmitisse a aluna. Chega a ser patética a sucessão de erros e patacadas que obrigaram a universidade a rever seu discurso de "desligamento sumário e irrevogável" ao "tudo bem, ela volta".
A lição que fica é que o twitter, os blogs, o facebook e outras mídias sociais têm sim poder de transformar o mundo real. Alguns anos atrás, tudo ficaria em uma cortina de fumaça e depois de uns dias do acontecido, ninguém mais falaria do assunto. A mídias sociais são perenes, tudo o que foi dito e escrito permanecerá nos logs e caches da web, num novo sentido da máxima aplicada aos documentários sobre o nazismo realizados após a segunda grande guerra: Lembrar para não repetir.
Em tempo: O video abaixo, de autoria do @Cardoso merece ser visto!

